Estudo aponta que elétricos emitem 87% menos CO₂ que carros a combustão no Brasil
Um levantamento do ICCT Brasil (International Council on Clean Transportation) revela que veículos elétricos no Brasil registram emissões de dióxido de carbono (CO₂) até 87% inferiores às de carros a combustão. A análise abrange todo o ciclo energético, do poço à roda, e considera os parâmetros oficiais do Programa Mover, política pública do governo federal que estabelece critérios de mensuração de emissões no setor automotivo. A pesquisa analisou modelos comercializados entre maio de 2024 e junho de 2025, cruzando dados de consumo, fatores de emissão de combustíveis, a matriz elétrica nacional e padrões de uso real dos veículos.
O estudo evidencia o potencial de mitigação de emissões dos veículos elétricos a bateria (BEVs), especialmente em um país com matriz energética majoritariamente renovável. Segundo o ICCT, os 56 modelos elétricos disponíveis no mercado brasileiro apresentaram uma emissão média de apenas 13 gCO₂e/km. Em contrapartida, veículos flex emitiram, em média, 103 gCO₂e/km, enquanto modelos a gasolina registraram 175 gCO₂e/km.
A comparação individual de modelos reforça essa diferença. O BYD Dolphin Mini lidera o ranking com 8,9 gCO₂e/km, seguido de perto por Neta Aya (9,4 gCO₂e/km), Renault Kwid E-Tech (9,6 gCO₂e/km) e BYD Dolphin (9,8 gCO₂e/km). O primeiro veículo a combustão na lista é o Renault Kwid flex, com 83,6 gCO₂e/km. Modelos populares como Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Volkswagen Polo e Fiat Mobi apresentaram emissões entre 88 e 90 gCO₂e/km.
“Mesmo quando comparados aos híbridos, os elétricos mantêm vantagem expressiva. Os híbridos plug-in (PHEVs), por exemplo, emitem em média 74gCO₂e/km, cerca de 28% menos que os flex, mas ainda muito acima dos elétricos puros”, aponta o estudo.
Matriz energética limpa impulsiona vantagem dos elétricos
A matriz elétrica brasileira, composta predominantemente por fontes hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa, é um fator crucial para o desempenho superior dos veículos elétricos (BEVs) no Brasil. Isso contribui para a redução significativa das emissões associadas ao carregamento dos veículos. O modelo de cálculo do Mover considera um fator de emissão da eletricidade brasileira consideravelmente inferior ao de países com geração dependente de carvão e gás natural, ampliando o diferencial ambiental dos carros elétricos no contexto nacional.
Híbridos apresentam ganhos limitados de emissão
O levantamento também destaca o desempenho modesto dos híbridos leves (MHEVs), cujas emissões são semelhantes ou até superiores às dos carros flex tradicionais no Brasil, muitas vezes devido ao peso e tamanho desses veículos. Os híbridos convencionais (HEVs) mostram algum benefício ambiental, especialmente as versões flex, mas ainda distantes dos elétricos puros. Um exemplo é o Toyota Corolla híbrido flex, com 75,2 gCO₂e/km.
Programa Mover redefine a medição de impacto ambiental
O Programa Mover inovou ao considerar todo o ciclo energético, desde a fonte primária até o movimento do veículo. Essa abordagem abrange consumo energético real, tipo de combustível, participação do etanol em modelos flex, uso do modo elétrico em híbridos plug-in e a matriz de geração elétrica. Tal metodologia permite uma comparação mais precisa entre as tecnologias, evitando distorções da análise exclusiva do modelo tanque à roda.
Os resultados consolidados reforçam o papel dos veículos elétricos como um vetor chave para a descarbonização do transporte individual no Brasil. A transição de um carro flex para um elétrico pode resultar em uma redução de mais de 80% nas emissões diretas, sem exigir transformações profundas na matriz energética nacional. Em 2025, o mercado brasileiro registrou 223.912 emplacamentos de veículos eletrificados, um aumento de 26% em relação ao ano anterior, sendo 80.178 unidades de modelos totalmente elétricos (BEV).
















